1. SEES 5.9.12

1. VEJA.COM
2. CARTA AO LEITOR  UM NORTE TICO
3. ENTREVISTA  DOUGLAS FARAH  O PERIGO DOS NARCOVIZINHOS
4. MALSON DA NBREGA  ALARMISMO AMBIENTAL E CONSUMO
5. LEITOR
6. BLOGOSFERA
7. EINSTEIN SADE  GLAUCOMA: SINTOMAS SUTIS, RISCOS REAIS

1. VEJA.COM
EDITADO POR FERDINANDO CASAGRANDE ferdinando.casagrande@abril.com.br

 REDES EDUCACIONAIS
Seus usurios trocam mensagens, arquivos, compartilham ideias, tudo como numa rede social comum. Mas todos so alunos ou professores e o assunto  exclusivamente educao. Crescem nos Estados Unidos, e tambm no Brasil, os servios virtuais com recursos sociais e finalidade educativa. O site de VEJA mostra como funcionam essas redes, quem as usa no Brasil e o que pensam os especialistas sobre essas plataformas.

 DIRIO DE CLASSE NO FACEBOOK
Ao denunciar no Facebook as mazelas de sua escola, a estudante catarinense Isadora Faber, de 13 anos, ganhou 100.000 fs na rede e criou um desafio para os educadores brasileiros: lidar com a avaliao pblica feita pelos alunos. Ser que eles esto preparados? O site de VEJA traz entrevistas com a diretora da escola de Isadora, Liziane Diaz, e com a estudante Martha Payne, de 9 anos, que inspirou Isadora com seu blog, em que criticava a qualidade da merenda de sua escola, na Esccia.

 LONGE DE CASA
Reportagem no site de VEJA mostra a batalha travada pelo msico fluminense Cosme Lutero para repatriar as filhas, deixadas pela me com um ex-namorado na Itlia. Como uma juza brasileira atribuiu a guarda ao italiano numa deciso inicial, o futuro das duas meninas, de 10 e 11 anos, depende agora de uma combinao de decises da Justia brasileira e da italiana.

 FOTO VINTAGE
Elas so feitas de plstico, imitam modelos clssicos e ressuscitam o filme, os flashes externos e as objetivas removveis. As cmeras analgicas esto voltando entre os descolados. J existem ao menos quatro marcas no mercado  entre elas, uma que reproduz o sistema polaroide.

 CINEMA DE BURCA
Dirigido pela primeira cineasta de origem saudita, o filme Wadjda estreou no Festival de Veneza e conta a histria de uma menina de 10 anos cujo sonho  andar de bicicleta, o que as leis islmicas a probem de fazer. Em entrevista ao site de VEJA, a diretora Haifaa Al Mansour fala sobre as dificuldades para filmar no pas onde nasceu e explica por que enxerga a arte como forma eficiente de lutar por liberdades civis.


2. CARTA AO LEITOR  UM NORTE TICO
     Coube  imprensa livre revelar que no corao do governo do ex-presidente Lula funcionava uma impressionante mquina montada para desviar dinheiro dos cofres pblicos e, com ele, subornar parlamentares e comprar partidos polticos. Coube ao Congresso Nacional esmiuar em uma CPI os caminhos tortuosos do escndalo que ficou nacionalmente conhecido como mensalo, o maior caso de corrupo poltica da histria recente.  Justia, cabe agora punir os envolvidos. Temia-se que a tradio de impunidade prevalecesse. Na semana passada, porm, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) anunciaram os primeiros veredictos, condenando cinco dos 37 acusados, entre eles o deputado Joo Paulo Cunha, ex-presidente da Cmara dos Deputados, o petista Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, e o empresrio Marcos Valrio, apontado como o operador do esquema. Suas penas s sero anunciadas no fim do julgamento, mas a deciso dos magistrados j comea a romper um dos mais vexatrios paradigmas da cultura brasileira: o de que priso no  lugar para os poderosos, principalmente se os poderosos tambm so polticos. A porta da cadeia enfim foi aberta para eles.
     Ao anunciarem seus votos, os ministros surpreenderam os mais incrdulos. No se limitaram a fundament-los tecnicamente. Externaram tambm uma enftica indignao com a ousadia patrocinada pelos ladres do dinheiro pblico. Agentes pblicos que se deixam corromper e particulares que corrompem so corruptos e corruptores, os profanadores da Repblica, os subversivos da ordem institucional, os delinquentes, os marginais da tica do poder, infratores do Errio que trazem consigo a marca da indignidade, que portam o estigma da desonestidade, disse o ministro Celso de Mello, o decano do STF. Ainda falta muito para saber se a impunidade ser inteiramente derrotada, mas as primeiras condenaes so exemplares em sua essncia e trazem um sentimento de alvio e alma lavada  opinio pblica, j que apontam o indito caminho da priso para os corruptos poderosos  um feito histrico, que pode fazer o Brasil finalmente reencontrar o rumo da tica e voltar a distinguir o certo do errado.


3. ENTREVISTA  DOUGLAS FARAH  O PERIGO DOS NARCOVIZINHOS
DUDA TEIXEIRA

O consultor de segurana americano diz que o Brasil  um dos maiores prejudicados pela aliana que os governos de pases da Amrica Latina estabeleceram com traficantes.

Douglas Farah  pago para redigir relatrios de segurana para empresas privadas e rgos do governo americano, como o Departamento de Segurana Interna e o Departamento de Defesa. Membro do Centro de Avaliao Estratgica Internacional (Iasc), de Washington, o consultor americano especialista em identificar as reas de influncia de cartis mexicanos, gangues salvadorenhas e grupos terroristas na Amrica Latina. Tambm revela as armas, os centros de lavagem de dinheiro e os contatos no governo e na Justia usados por esses criminosos. Autor do livro Merchant of Dearh (O Mercador da Morte), sobre o traficante de armas russo Viktor Bout, Farah foi criado na Bolvia, onde seus pais, missionrios americanos, trabalharam.

Como explicar o avano do crime organizado na Amrica Latina? 
Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 em Nova York, os governos dos Estados Unidos e de pases da Europa concentraram suas atenes no islamismo radical e no terrorismo. Desde ento, o combate ao crime organizado ficou de fora da lista de prioridades e diferentes grupos com atividades ilcitas puderam agir com uma liberdade sem precedentes. Eles fizeram contatos entre si e assumiram o controle de partes vitais da economia de muitos pases. Na Amrica Latina, houve um fenmeno ainda mais preocupante. Os criminosos foram convidados pelos governantes de pases ditos bolivarianos, liderados pelo presidente venezuelano Hugo Chvez, para compartilhar o poder poltico. Assim, conquistaram uma fora indita na regio.

Como  a parceria entre os governos e os criminosos? 
Narcoestado  o nome que se atribui a um pas em que a cpula governamental d proteo s atividades dos traficantes ou mantm alguma participao direta no negcio clandestino. Nesses lugares, os criminosos so utilizados como instrumento de poltica interna e externa e apoiam o poder central. Em troca, cometem seus crimes com total segurana. A existncia desse tipo de acordo explica o espetacular crescimento do papel da Venezuela como local de passagem da cocana para outros pases. O mesmo ocorreu com o Equador e a Bolvia. Nesses pases, quando funcionrios do primeiro escalo so flagrados em operaes ilegais, jamais so investigados ou punidos. Ao contrrio, so promovidos. Quem  castigado nos narcoestados so os jornalistas ou os polticos da oposio com coragem para divulgar as relaes entre o poder poltico e o crime organizado. Foi o que aconteceu com o senador boliviano Roger Pinto, que entregou denncias ao presidente Evo Morales e, por isso, passou a ser perseguido pelo governo. O poltico acabou se refugiando na Embaixada do Brasil para escapar da retaliao.

Quais so as principais autoridades envolvidas com narcotraficantes? 
So muitas. O ministro da Defesa da Venezuela, Henry Rangel Silva, deu apoio material para que as Foras Armadas Revolucionrias da Colmbia (Farc) transportassem drogas, segundo o Departamento de Tesouro americano. O juiz Eladio Aponte, que trabalhou sete anos no Tribunal Supremo de Justia da Venezuela e est exilado nos Estados Unidos, tambm afirma ter provas do envolvimento de altos membros do governo de Hugo Chvez com narcotraficantes. At fugir para Miami, ele era fiel ao presidente. Na Bolvia, Juan Ramn Quintana, ministro da Presidncia, e Sacha Llorenti, ex-ministro de Governo, so suspeitos de manter relaes escusas com o crime organizado. Llorenti acaba de ser nomeado embaixador da Bolvia na ONU. No Equador, dois aliados do presidente Rafael Correa, Gustavo Larrea, ex-ministro de Segurana interna e Externa, e Jos Igncio Chauvn, ex-subsecretrio de Governo, mantinham vnculos diretos com traficantes das Farc.

O crime organizado sempre procurou infiltrar-se no poder oficial, no? 
Sim, mas a natureza desses laos mudou. Tradicionalmente, os cartis das drogas buscavam instalar-se em setores estratgicos do estado para abrir brechas nas alfndegas e nos postos de imigrao, e para controlar alguns tribunais de Justia. No se preocupavam em dominar a cpula nacional. No Mxico ainda  assim. J nos pases bolivarianos o crime organizado espalhou-se de alto a baixo na estrutura de poder. No modelo antigo, sempre havia um setor do estado que no tinha sido contaminado e podia reprimir os criminosos com a polcia ou as Foras Armadas. Nos narcoestados, essa capacidade de reao praticamente deixa de existir.

Como foi forjada a aliana desses governos com os narcotraficantes? 
Quando iniciaram o seu mandato, eles no tinham essa ambio. A questo  que o modelo econmico que adotaram no funcionou. Nas empresas nacionalizadas houve uma queda na produo. Os investidores, internos e externos, sumiram. A corrupo se alastrou e os profissionais mais talentosos se mudaram para outros pases. Com a economia desmoronando, esses governantes buscaram alternativas. Encontraram o crime organizado.

Como a sociedade brasileira  afetada pelos narcoestados da vizinhana? 
O Brasil  o segundo maior mercado consumidor de cocana do mundo, e conquistou esse posto porque houve uma mudana na forma de pagamento da droga entre os traficantes. At os anos 80, quando ainda dominavam o trfico de cocana, os colombianos recompensavam seus intermedirios em dinheiro. Com isso, a maior parte da droga apenas fazia escala no Brasil, de onde era enviada para outros pases. Nos anos 90, os mexicanos mudaram as regras e passaram a pagar de 20% a 50% do valor em mercadoria. Isso obrigou seus parceiros em vrios pases a arrumar uma maneira de vender a cocana. Assim cresceram os mercados domsticos para a droga e suas variaes, como o crack, com o impacto conhecido na criminalidade. Quando um viciado fica sem dinheiro, rouba ou comete outros crimes. Os pontos de venda passam a ser disputados e os bandos comeam a se armar com fuzis AK-47 e lanadores de granadas. Quando eles entram em combate com policiais armados apenas com pistolas, o desequilbrio de foras  tremendo. No h um nico caso no mundo em que o crescimento do consumo de drogas ilcitas no tenha sido acompanhado de aumento da criminalidade.

De que maneira a conivncia do estado com o trfico prejudica os cidados venezuelanos, bolivianos e equatorianos? 
Onde h narcotrfico, h lavagem de dinheiro, trfico de seres humanos e prostituio. O avano das atividades ilcitas sempre  acompanhado por surtos de riqueza surpreendentes, que no podem ser explicados pela economia formal. No Panam, esto sendo construdos arranha-cus que depois ficam totalmente vazios. Trata-se de lavagem de dinheiro pura e simples. Como os donos das construtoras que erguem esses prdios podem trabalhar no prejuzo, acabam competindo deslealmente com as empreiteiras honestas. As atividades econmicas legtimas, portanto, so prejudicadas. Essa distoro ocorreu na Colmbia nos anos 80 e agora  a regra nos pases bolivarianos. Ser muito difcil reverter essa situao e recuperar a parte legtima da economia, tornando-a apta para competir no mercado global.

Por qu? 
Porque os criminosos e seus aliados no poder criam laos, fazem negcios e trocam experincias com outros bandos e com o governo de outras naes. Cria-se assim uma rede internacional de proteo mtua. Se Evo Morales cambaleia no poder, Chvez aterrissa em La Paz com um cheque ou aparece a presidente argentina Cristina Kirchner oferecendo novos projetos. Esses governos j resistiram a vrios momentos de aguda crise interna por causa dessa rede de apoio, cuja fachada  a afinidade ideolgica. No fim de 2010, quando Chvez ficou sem dinheiro (a economia estava em recesso pelo segundo ano seguido), os chineses lhe deram 20 bilhes de dlares. Em troca, garantiram o abastecimento de petrleo venezuelano por muitos anos. Os novos narcoestados latino-americanos tambm forjaram uma aliana poderosa com o Ir. Ela  feita de acordos que, embora no tragam benefcios econmicos notveis, tm um sentido estratgico.

O Ir tem petrleo e est muito longe daqui. Qual  o seu interesse na Amrica Latina? 
Um dos objetivos claros do Ir  driblar as sanes internacionais. Na Venezuela, criaram-se instituies financeiras de fachada, como o Banco Internacional de Desenvolvimento, que Chvez sempre disse que no era iraniano. Eu tive acesso aos papis de sua fundao, contudo, e verifiquei que todos os dezessete diretores eram iranianos. Tinham passaporte e nomes persas. O banco era usado para movimentar o dinheiro das transaes internacionais do Ir, especialmente as relacionadas ao seu programa nuclear. Depois que esse esquema foi descoberto, o Ir e a Venezuela inventaram outros. Um deles consiste em criar um fundo binacional, ou seja, uma conta conjunta, supostamente para promover a agricultura, na qual cada pas deposita alguns bilhes de dlares. Depois esse fundo simplesmente desaparece e o dinheiro some.  uma maneira de fazer com que o capital iraniano possa circular com um rtulo diferente, com outra denominao de origem. No Equador, os iranianos utilizam bancos nacionais que no funcionam mais, mas ainda existem no papel. Bem mais difcil  saber o que eles querem na Bolvia. H 140 diplomatas iranianos que oficialmente atuam como assessores comerciais no pas, mas o comrcio bilateral no passa de alguns poucos milhes de dlares. No h justificativa para tanto funcionrio ligado  embaixada.

O senhor arrisca uma explicao? 
Temo que o Ir queira usar a Amrica Latina para ameaar ou chantagear os Estados Unidos. Os generais venezuelanos carregam nos bolsos um pequeno livro com as doutrinas do Hezbollah, um grupo fundamentalista xiita apoiado pelo Ir. O texto contm a meta de derrubar o imprio americano com armas de destruio em massa. O intercmbio com os pases bolivarianos serviria, ento, para montar um perigoso arsenal, talvez qumico ou biolgico, no quintal dos americanos.

O presidente da Colmbia, Juan Manuel Santos, disse estar disposto a iniciar negociaes com as Farc. Quais so as chances de isso dar certo? 
Qualquer negociao sria teria de conseguir que as Farc abandonassem o narcotrfico, o que  impossvel. Muita gente depende dessa rede que se alastra por todo o planeta. A questo do narcotrfico muito provavelmente ficaria de fora em uma negociao de paz. As lideranas das Farc nunca demonstraram disposio para abrir mo dessa que se tornou sua principal atividade.

O Plano Colmbia, assinado com os Estados Unidos em 1999 com o objetivo de reduzir a produo e o trfico de cocana, foi bem-sucedido? 
Quem ler as metas que foram escritas no tratado de 1999 poder concluir que se tratou de um fracasso espetacular. Os dois pases previam baixar a exportao de cocana pela metade e falavam em muitos outros objetivos que ao final no se concretizaram. Fora do papel, o plano fez histria. Nos Estados Unidos, o consumo de cocana caiu mais de 20% em dez anos. Na Colmbia, o risco de o estado ruir no existe mais. As Farc esto debilitadas e no h mais grandes cartis com liberdade para fazer seus negcios. Com apoio americano, os colombianos se puseram a trabalhar para fechar as feridas das dcadas de confronto com a guerrilha. Os Estados Unidos financiaram menos de 10% do Plano Colmbia. A maior parte dos recursos veio dos colombianos, que aumentaram os impostos pagos pela prpria populao para assumir as despesas da guerra interna. Eles reduziram a violncia sem fazer nenhum pacto com os narcotraficantes. Demonstraram com isso uma capacidade que ainda falta aos mexicanos. Infelizmente, outros pases da regio escolheram seguir o rumo oposto.


4. MALSON DA NBREGA  ALARMISMO AMBIENTAL E CONSUMO
     Muitos previram o fim do mundo nos ltimos 200 anos. Thomas Malthus (1766-1834) falava em risco de catstrofe humana. Para ele, como a populao crescia em progresso geomtrica e a produo de alimentos em progresso aritmtica, a fome se alastraria. Assim, para controlar a expanso demogrfica, Malthus defendia a abstinncia sexual e a negao de assistncia  populao em hospitais e asilos. O risco foi superado pela tecnologia, que aumentou a produtividade agrcola.
     Hoje, o alarmismo vem de ambientalistas radicais. A catstrofe decorreria do aquecimento global causado basicamente pelo homem, via emisses de dixido de carbono. Em 2006, o governo britnico divulgou relatrio de grande repercusso, preparado por sir Nicholas Stern, assessor do primeiro-ministro Tony Blair. Stern buscava alertar os que reconheciam tal aquecimento, mas julgavam que seria um desperdcio enfrent-lo. O relatrio mereceu dura resposta de Nigel Lawson, ex-ministro de Energia e da Fazenda de Margaret Thatcher, hoje no grupo dos cticos, isto , os que duvidam dos ambientalistas. No livro An Appeal to Reason (2008), Lawson atribuiu objetivos polticos ao documento, que no teria mrito nas concluses nem aos argumentos.
     Lawson afirma que o aquecimento no tem aumentado desde a virada do sculo e que so comuns oscilaes da temperatura mundial. H 400 anos, o esfriamento conhecido como pequena era do gelo fazia o Rio Tmisa congelar no inverno. Mil anos atrs, bem antes da industrializao  que se diz ser a origem da mudana climtica , houve um aquecimento medieval, com temperaturas to altas quanto as atuais. Muito antes, no Imprio Romano, o mundo era provavelmente mais quente, assinala. De fato, sempre me chamou ateno o modo de vestir de gregos e romanos, que aparecem em roupas leves em pinturas da Grcia e da Roma amigas. Nunca vi um deles metido em pesados agasalhos como os de hoje.
     Entre Malthus e os ambientalistas, surgiram outros alarmistas. Em 1968, saiu o livro The Population Bomb, do biologista americano Paul Ehrlich, no qual o autor sustentava que o tamanho excessivo da populao constituiria ameaa  sobrevivncia da humanidade e do meio ambiente. Em 1972, o Clube de Roma props o crescimento zero como forma de enfrentar a exausto rpida de recursos naturais. Ehrlich defendia a reduo do crescimento populacional: o Clube de Roma, a paralisia do crescimento econmico. Nenhum dos dois estava certo.
     Em artigo na ltima edio da revista Foreign Affairs, Bjorn Lomborg, destacado ctico, prova o enorme fracasso das previses catastrficas do Clube de Roma. Dizia-se que em uma gerao se esgotariam as reservas de alumnio, cobre, ouro, chumbo, mercrio, molibdnio, gs natural, petrleo, estanho, tungstnio e zinco. As de mercrio, ento sob forte demanda, durariam apenas treze anos. Acontece que a inovao tecnolgica permitiu substituir o mercrio em baterias e outras aplicaes. Seu consumo caiu 98%; o preo, 90%. As reservas dos demais metais aumentaram e outras inovaes reduziram sua demanda. O colapso no ocorreu.
     Como o Clube de Roma pode ter errado tanto? Segundo Lomborg, seus membros desprezaram o talento e a engenhosidade do ser humano e sua capacidade de descobrir e inovar. Se as sugestes tivessem sido acatadas, meio bilho de chineses, indianos e outros teriam continuado muito pobres. Lomborg poderia ter afirmado que o Brasil estaria mais desigual e no haveria a ascenso da classe C.
     Apesar de tais lies, volta-se a falar em limites fsicos do planeta. Na linha do Clube de Roma, defende-se o estancamento da expanso baseada no consumo de bens materiais. Se fosse assim, inmeros pases seriam congelados em seu estado atual, sem poder reduzir a pobreza nem promover o bem-estar.
     Mesmo que o homem no seja a causa bsica do aquecimento,  preciso no correr riscos e apoiar medidas para conter as emisses. Mas tambm resistir a ideias de frear o consumo. Alm de injusta, a medida exigiria um impossvel grau de coordenao e renncia ou um inconcebvel comando autoritrio. Desprezaria, ademais, a capacidade do homem de se adaptar a novas e desafiantes situaes.
MALSON DA NBREGA  economista.


5.  LEITOR
IMPORTNCIA DO INGLS 
Interessante a abordagem dada  relevncia do ingls na reportagem Para soltar a lngua (29 de agosto). O Brasil, como nao emergente e de expresso mundial, no pode falhar no quesito bsico: comunicao. Alm da fluncia na lngua, para uma comunicao eficiente  fundamental o entendimento das nuances culturais. Apesar da importncia dessa habilidade para profissionais que interagem com pessoas de outras nacionalidades, ela no se reflete na necessria diferenciao salarial. Provavelmente, essa  outra razo pela qual nossa nota  to ruim quando comparada com a de outros pases.
ANDRESSA MUNHOZ JOAQUIM 
So Paulo, SP

Tenho 74 anos, sou mdico e faz parte de minha vida uma srie de reunies e congressos no exterior que tm como lngua oficial o ingls. Estou reforando o aprendizado h trs anos, cursando aulas em uma escola especializada dois dias por semana. Tenho como colegas jovens de 8 a 18 anos que sempre me estimulam a continuar a luta, o que no  fcil, j que a memria no  a mesma dos estudantes. Pena que nossas escolas pblicas, ou mesmo as particulares, no atentem para o fato de que neste mundo globalizado a verdade  nua e crua: ou se fala e entende a lngua inglesa, ou se  mudo.
ANTONIO TEIXEIRA FILHO
So Jos do Rio Pardo, SP

 inquestionvel que, devido  plasticidade do crebro das crianas, elas superam os adultos em termos de pronncia, mas esse fator no  o nico no aprendizado de uma lngua, nem o mais decisivo. No entanto, o nvel de proficincia atingido por uma criana  limitado em relao ao de um adulto. As estruturas para comunicao so mais simples, e o vocabulrio, mais restrito. O nvel exigido dos adultos  mais alto, o que nos d a impresso de que o desempenho das crianas  melhor.
RORY CORDEIRO E SILVA
Professor especialista em lngua inglesa 
Curitiba, PR

Sou consultor em business english, alm de tradutor e intrprete, e achei muito oportuna a reportagem. Realmente, os adultos demoram mais para aprender, especialmente quando passam alguns anos sem contato de alguma natureza com o idioma. Mas, quando querem ou precisam aprender, dedicam-se muito. Principalmente aqueles cuja evoluo profissional depende da capacidade de lidar com clientes internacionais. Como a reportagem apontou, o Brasil est muito atrs na classificao do domnio do idioma ingls. H diversas razes, mas gostaria de ressaltar duas. Uma  o mito de que se aprende ingls num curtssimo espao de tempo, com cursos ou sistemas milagrosos. Infelizmente no  assim. Quando a pessoa no aprende, fica frustrada, achando que jogou dinheiro fora, e desiste. O segundo problema, talvez, mais srio,  que em muitos casos o nvel dos professores e professoras tambm fica muito aqum do desejvel. O modelo brasileiro precisa ser revisto. Estamos tentando melhorar a situao com vistas  Copa de 2014 e  Olimpada de 2016, mas no  apenas a infraestrutura que est atrasada. Temos um longo caminho pela frente.
LIAM ALEXNDER GALLAGHER
So Paulo, SP

O que faz a diferena entre aprender e no aprender ingls, tanto para crianas
quanto para adultos,  a dedicao aliada  coragem de tentar. E no ter medo de errar.
JOSY BRAZ
Professora de ingls
Campo Grande, MS

A tradicional crena no jeitinho transformou-se linguisticamente no difuso nvel eu me viro. Um fator que contribui para essa falsa percepo de suficincia  a relutncia dos aprendizes brasileiros a avaliaes peridicas e independentes que informem claramente suas capacidades e limitaes em escalas internacionalmente reconhecidas, como o Quadro Comum Europeu de Referncia. Na China, e na sia de modo geral, avaliaes externas peridicas por meio de exames de proficincia fazem parte da cultura de aprendizagem de ingls e tm contribudo para a internacionalizao e o crescimento econmico.
HLCIO LANZONI
Ribeiro Preto, SP

Ao fazer o teste Cheque aqui a sua competncia, da reportagem de VEJA, deparei com um erro na pergunta nmero 13.  usada a palavra flu sem o artigo the. A alternativa correta  realmente a letra B, mas deveria haver o artigo the logo aps a palavra with. Flu  a denominao do vrus, portanto se faz necessrio o artigo the, uma vez que somos contaminados por variaes do mesmo vrus, e no por vrus diferentes como no caso do resfriado (a cold, em ingls). Dou aula de ingls desde 1994, sou professora de ingls formada em letras e tenho certificados de universidades americanas.
RITA ROSA
Por e-mail

Jeff Stranks, o professor que produziu o teste para VEJA, faz a seguinte argumentao: O uso de the antes do substantivo flu  opcional no ingls falado na Gr-Bretanha.

COTAS EM UNIVERSIDADES FEDERAIS 
A fantstica reportagem O grande erro das cotas (29 de agosto) mostra o equvoco do critrio de cotas para o ingresso em universidades federais no Brasil. O governo opta por criar um clima de hostilidade racial, quando o pior entrave para o ingresso nos bancos dos cursos superiores  socioeconmico. Pior, prefere rebaixar a qualidade universitria de acordo com o pssimo padro do ensino bsico, para o qual o estado deveria propor efetivas aes com vistas a uma verdadeira transformao do aprendizado e do conhecimento.
GENYS ALVES JR.
So Paulo. SP

Ferindo de morte a Constituio, o sistema de cotas  a confisso da falncia do sistema educacional brasileiro. Sou branca, porm estudei a vida inteira em escola pblica e tenho duas graduaes na UFPE. Exclusividade minha? No. Vrios colegas hoje tm carreira de sucesso graas  qualidade do ensino pblico recebido em nossa poca, quando o conhecimento era privilegiado. Meu filho ser uma vtima dessa nova modalidade de racismo e preconceito por ser branco e estudar em escola particular. Para equilibrar o estrago, essa medida deveria ser estendida para a candidatura a cargos polticos. O que serve para o Brasil servir para Braslia? Duvido.
CLUDIA MARIA GONDIM MDOLO
Recife, PE

A quem argumenta ser este o momento de resgatar a dvida da nao em relao aos desfavorecidos economicamente ou aos injustiados socialmente, questiono: desde quando a insero de indivduos despreparados em universidades, qualquer que seja sua renda familiar, sua cor ou sua raa,  capaz de amenizar a estratificao social presente no Brasil? Desde quando essa  a soluo para a manuteno da excelncia (embora h muito tempo contestvel) da educao superior? Por que no investir maciamente no ensino fundamental e mdio? Por que no corrigir as deformaes que advm desde cedo? Com a sano da presidente Dilma, pagaremos um alto preo por esse gesto de pura insensatez, com cheiro de demagogia flagrante e cara.
MARIA DAS GRAAS TARGINO
Teresina, PI

Polticas pblicas verticais, ou de discriminao positiva, como as cotas raciais e sociais nas universidades federais, surgem com o argumento de corrigir distores do passado. Elas podero at corrigir, mas isso no ser suficiente pra superar o atraso educacional se no significar um reconhecimento de que a educao bsica pblica carece de profundas melhorias. Mais importante do que tratar os diferentes de forma distinta  investir na educao bsica para que os nossos alunos aprendam de fato. As universidades federais j esto exercendo o papel que as escolas pblicas no conseguiram cumprir. Isso  justo?
FABIANO CAVALCANTI MUNDIM
Braslia, DF

Estudei em escola pblica e cheguei despreparado ao ensino superior. Tive de me contentar com a universidade particular. Para que a histria do meu filho fosse diferente, com muito esforo, consegui mant-lo na rede privada, do incio do ensino fundamental ao final do ensino mdio. Agora, ele corre o risco de perder sua vaga na universidade pblica para um candidato menos preparado que ele, isso  justia social, presidente Dilma?
ADO GONALVES
Joinville, SC

A Lei de Cotas  um absurdo. Est a o estmulo que faltava para os mais bem preparados passarem a preferir uma universidade particular.  triste, mas sem dvida isso ser o incio do processo da desvalorizao do diploma das universidades federais. Tirar a vaga daquele que estudou muito para dar a algum marcado como incompetente, ser esse o caminho? Prestem ateno, vai acontecer com as federais o que aconteceu com a escola pblica: cair em total decadncia. Afinal, as federais s so o que so graas aos seus alunos.
NCOLAS ALVES FABENI
Curitiba, PR

 luz de todo o conhecimento acumulado pela moderna biogentica e em pleno sculo XXI,  no mnimo inacreditvel que o governo e determinados setores da sociedade continuem a insistir em que caractersticas fenotpicas  no caso, a cor da pele  sirvam como critrio vlido para selecionar, classificar, distinguir ou agrupar seres humanos! A poltica de cotas  muito pior que o famoso jeitinho brasileiro.  mais uma demonstrao de nosso atraso e fracasso como povo.
NELSON AMANTA
Itu, SP

CARTA AO LEITOR
A foto da manifestante que ilustra a Carta ao Leitor de 29 de agosto (Uma falsa soluo para um problema real)  bastante sintomtica. O cartaz que ela carrega, com a inscrio A favor da incluso, contra a deficicia (sic) educacional, j  o bastante para justificar a matria. Triste pas o nosso.
VALTER GOMES BARBOSA
Braslia, DF

LYA LUFT
Excelente artigo de Lya Luft (Querendo que d certo, 29 de agosto). Dilma herdou um tremendo abacaxi de seu patrono e criador. Portos, aeroportos, ferrovias, rodovias, educao, sade, segurana, tudo na rabeira. Sobraram apenas as famigeradas bolsas-enganao. Pobre Brasil!
Luiz TOLEDO
Macei, AL

Em mais um artigo de magnitude intelectual, a escritora Lya Luft aborda a situao poltico-social do nosso amado e to sofrido Brasil. Terminamos de ler o texto banhados de sensibilidade, bom-senso e esprito cvico.
MARIA HORTENCIA QUEIROZ CABRAL
Vitria, ES

JULGAMENTO DO MENSALO
Com a reportagem As duas verses da Justia (29 de agosto), pude observar quo abissal  a diferena entre o pas com o qual sonhamos e aquele em que de fato vivemos: um juiz da mais alta corte da nao no consegue ver crimes onde saltam aos olhos inmeros ilcitos que constam do Cdigo Penal e da prpria Constituio. Para completar, a meritocracia receber um soco na ponta do queixo com a possvel aprovao do sistema de cotas no pas. Em ambos os casos, fica explcita a tentativa de subverso do contrato social, ou seja, impor a vontade de uma minoria a uma enorme maioria.
LUIS GUSTAVO DAMASIO
Olinda, PE

H um bom tempo. a crnica anunciada por VEJA comprovou-se, sem causar o mnimo espanto: o ministro Ricardo Lewandowski , sem dvida, o maior defensor dos quadrilheiros do mensalo dentro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de uma autoridade comprometida com valores menos nobres e, provavelmente, inconfessveis. Com Lewandowski, nenhuma gangue precisa morrer de medo. E pode se dar ao luxo de despedir seus advogados. E quem fica envergonhado somos ns, o povo. J o ministro dorme tranquilo.
FRANCISCO MICHIELIN 
Caxias do Sul, RS

Depois de Ricardo Lewandowski sentenciar que acredita na verso de que o dinheiro sorrateiramente sacado no Banco Rural se destinava a pagar uma pesquisa eleitoral e que no havia como o cndido Joo Paulo Cunha saber da origem ilcita dos recursos, resta evidente que o sapientssimo ministro acredita em lobisomem, mula sem-cabea...
LEONILDO LIBRIO ALVES SILVA
Campo Grande, MS

Agora. entende-se por que o ministro Ricardo Lewandowski, ao ser questionado meses atrs a respeito de quando entregaria o processo do mensalo revisado, respondeu: Esta resposta vale 1 milho de reais.
JOSE A. OLIVEIRA
Por e-mail

Os ministros do STF tm a rara oportunidade de deixar um majestoso legado aos psteros e escrever, com letra maiscula, seus nomes na histria do Brasil: ser o marco do combate  corrupo endmica que assola nosso pas. Entretanto, esto se rendendo ao ego (e que ego  minha nossa!) e a vaidades pessoais. Assim, sero conhecidos como os que avalizaram a bandalheira existente  e, neste caso, seus nomes sero varridos para o lixo da histria.
CARLOS DE ANDRADE
Curitiba, PR

Depois da nota dialeto O dileto que usa fraque, cartola e polainas (Blogosfera, 29 de agosto), do jornalista Augusto Nunes, passei a imaginar como falar a gerao Y, que hoje est saindo dos bancos das universidades  e que daqui a quarenta anos estar ocupando cadeiras do STF. A questo central no passa pelas palavras que usaro, mas pela objetividade e praticidade de aes e decises. Tenho certeza de que o Brasil ser muito mais produtivo e simples de viver.
SERGIO BREYER FILHO
Rio de Janeiro, RJ

DANEVITA MAGALHES
Li a reportagem A verdade punida (29 de agosto), que destaca o caso da publicitria Danevita Magalhes, e fiquei revoltada por saber que neste pas, enquanto ntegros sofrem as consequncias por no compactuar com situaes como as descritas na reportagem, os corruptos e ladres so premiados com altos cargos no governo ou eleitos e reeleitos. Ao mesmo tempo, senti certo alvio por saber que, em meio a tanta sujeira, ainda podem surgir pessoas que no vendem sua conscincia nem abrem mo de seus valores ticos e morais, preferindo perder um emprego com timo salrio a participar de falcatruas e malfeitos. A senhora Danevita pode ter perdido o seu dinheiro, mas no a dignidade.
FRANCISCO ARANTES
Jundia, SP

Fiquei em estado de choque.  intolervel tamanha covardia com a senhora Danevita Magalhes.
FTIMA MERCURI 
Curitiba, PR

Diante de tanta corrupo, descumprimento da lei, de pessoas desonestas e corruptas no exerccio de cargos pblicos, fica claro que corremos o risco de pr em dvida a honestidade como valor. E fica aquela pergunta: ser que vale a pena ser honesto no Brasil? No podemos esquecer jamais que honestidade  sinnimo de comportamento sincero e coerente, respeito aos valores da justia e da verdade. Sou assinante de VEJA h mais de 25 anos e nesse tempo todo jamais havia lido algo que me entristecesse tanto como a reportagem intitulada A verdade punida, tendo como vtima a senhora Danevita, pelo desnudamento de desvio de dinheiro pblico para o mensalo. Tenho absoluta certeza de que o que essa senhora fez  algo merecedor do respeito de todos os brasileiros. No se deixou levar pelo jogo sujo de alguns bandidos mentores do mensalo, apesar do volume imensurvel de dinheiro. Cumpriu com muita dedicao e esprito patritico o seu dever de cidad. Rogamos s autoridades competentes que se sensibilizem, providenciando o retorno imediato da senhora Danevita ao seu trabalho.
EDVALDO BELISRIO DOS SANTOS
Cuiab, MT

O caso da senhora Danevita Magalhes reflete o desvirtuamento moral que assola a nossa sociedade. Assistimos passivos a tamanho assalto  coisa pblica e totalmente omissos ao ostracismo daqueles que se negam a praticar o mal. Essa senhora merecia emprego em uma grande empresa. Qual empresrio no se sentiria seguro por ter em seu departamento de finanas uma funcionria honesta? Pois , parece-me que, no Brasil dos petralhas, isso  sinal de condenao, em vez de virtude. Senhora Danevita, o que voc fez no foi em vo. Ns somos gratos pela sua coragem.
JULIO CEZAR DUTRA DE OLIVEIRA
Recife, PE

LUIZ ESTEVO
Parabns  Advocacia-Geral da Unio  e ao ex-senador Luiz Estevo, que concordou em devolver aos cofres pblicos 468 milhes de reais desviados das obras do TRT de So Paulo (Inacreditvel !, 29 de agosto). Vitria do Brasil.
RODOLFO J. KUHN
Braslia, DF

JR. GUZZO
O artigo Z Linguia (29 de agosto), de J.R. Guzzo, em sua aparente simplicidade, vai fundo na irretocvel anlise da preocupante conjuntura cultural e moral do pas.
GILBERTO GIGANTE
Pelotas, RS

J.R. Guzzo retrata como so ridculos aqueles que (des)governam o Brasil. Esses governantes nem se tocam de que, ao mesmo tempo em que se metem a palpitar sobre a vida de outros pases, se desenrola no circo de Braslia a pera-bufa Mensalo. Com o personagem Z Linguia, desmancha-se aquela iluso de potncia que tentam vender mundo afora.
LARCIO ZANINI
Gara, SP

Parabns, J.R. Guzzo. Eu e milhares de brasileiros tnhamos esse grito entalado.
FRANCISCO VICENTE SOARES
Divinpolis, MG

J.R. Guzzo mostrou com propriedade o ufanismo tapuia. Aos falastres, no seria imprprio lembr-los da frase atribuda ao ex-presidente americano Abraham Lincoln:  melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que voc  um idiota do que falar e acabar com a dvida.
MRIO COBUCCI JUNIOR
So Paulo, SP

JAN GEHL
A entrevista com o dinamarqus Jan Gehl (Tamanho e beleza no so tudo, 29 de agosto) foi uma aula de urbanizao e arquitetura. Com a atual preferncia pela divulgao de obras monumentais, o entendimento do que  realmente bom fica deformado. VEJA presta um extraordinrio servio ao mostrar outro aspecto. O ser humano deve ser o foco, afinal tudo  feito para seu uso. A arquitetura  muito importante para uma melhor qualidade de vida e deve respeitar a escala humana.
NATAN ROZENBAUM
Belo Horizonte, MG

Muitas cidades  beira-mar foram se formando sem planejamento algum. Moro em Santos, no litoral paulista, e convivo com problemas relatados pelo urbanista Jan Gehl. Nos trs primeiros quarteires a partir da praia,  necessrio um casaco, e logo depois a temperatura sobe a ponto de ser preciso retir-lo.
ANTONIO SYDNEY COCCO
Santos, SP

Sensacional.  a arquitetura sustentvel. Um caminho para resolver o caos do trnsito j instalado por aqui. Espero que algum candidato a prefeito leia essa entrevista feita com o urbanista Jan Gehl. Leva meu voto.
JOO MARANDINO
Rio de Janeiro, RJ

HOLANDA E A GLOBALIZAO
Parabns ao jornalista Marcelo Marthe, que, ao destacar o livro O chapu de Vermeer na reportagem A paleta globalizada (29 de agosto), ajuda a reparar o erro contra um pas que tem sua relevncia na construo do pensamento humanista ocidental em muito subestimada. A Holanda, por assumir papel de refgio para aqueles que j no sculo XVII no encontravam conforto na viso excessivamente religiosa de Portugal e Espanha, tornou-se um dos beros das ideias que punham o homem e seu dia a dia no centro das questes. Enquanto o resto da Europa ainda se mantinha engessado na viso do divino como pautador das condutas sociais, comerciais e de domnio de outros povos, muitos holandeses e estrangeiros refugiados em suas cidades j esboavam fortes ideias humanistas, entre elas a noo de que cabe ao homem tanto a tomada de decises como a responsabilidade por suas consequncias. Imersos nessa atmosfera, outros artistas e intelectuais holandeses focam em suas obras o cotidiano e nos permitem a observao de uma sociedade j ento sofisticada e liberal. No  de estranhar que um pequeno entreposto holands na Amrica tenha se tornado a cidade-smbolo da oportunidade e da tolerncia tnico-cultural: Nova York.
ROMNEI LENON LEHMEN
Porto Alegre, RS

GREVE DE SERVIDORES PBLICOS
A greve  uma aberrao. Todos sabem disso, sobretudo quando se trata do levante de carreiras tpicas de estado. Ocorre no Brasil um processo de argentinizao, orquestrado com srdidos propsitos de manietar o estado (Tudo parado, 29 de agosto). O processo na Argentina est mais escancarado. No podemos assistir inertes a essa derrocada.
MAURICIO ALVES
Vila Velha, ES

Que o PT experimente do seu prprio veneno  justo  e at desejvel. Mas, infelizmente, quando se trata de servios pblicos, os maiores prejudicados somos ns, teimosos pagadores de impostos incapazes de saciar a incompetncia do estado e a ganncia dos seus squitos. Enquanto no se regulamentar a questo da greve no servio pblico, seremos sempre extorquidos e refns dessa horda de aproveitadores. Parece-me que, se nada for feito, a Copa de 2014 reunir condies ideais para que a chantagem desses privilegiados irresponsveis atinja o pice da perversidade.
MAURLIO EBERLE
Limeira, SP

PENA PARA JOVENS TRAFICANTES
A propsito da reportagem Livres para o trfico (29 de agosto), destaco que, num momento em que o pas se encontra dominado pela criminalidade e pelo trfico de drogas, necessitando urgentemente de medidas duras contra os crimes em geral, vem o Superior Tribunal de Justia (STJ) determinar que menores de 18 anos no podero ser internados se forem pegos pela primeira vez vendendo drogas. Todos agora podem ser rus primrios. E assim teremos muito mais bandidos com menos de 18 anos na praa. Sem dvida, estamos perdidos neste pas.
SEBASTIO FERREIRA DA SILVA 
Belo Horizonte, MG

Excelente a reportagem sobre menores e o trfico de drogas.  essencial que as instituies sejam adequadas e que existam profissionais como na Frana  os educadores especializados. No se esqueam de que Mello Mattos, o primeiro juiz de menores, ao organizar a Vara, incluiu entre seus funcionrios um mdico psicanalista (e estamos falando de 1927).
ALYRIO CAVALLIERI
Desembargador aposentado, ex-juiz de menores 
Rio de Janeiro, RJ

CIENTISTAS QUALIFICADOS
O Brasil desenvolveu um programa de ps-graduao de qualidade iniciado nos anos 60, criou excelentes universidades federais e institutos de pesquisa e formou um plantel considervel de doutores no exterior. Hoje, no consegue utilizar todo esse potencial para dar o salto tecnolgico to almejado. Uma das principais razes  a gigantesca burocracia imposta pelos muitos rgos de controle, cujas regras de fiscalizao de um projeto de pesquisa so as mesmas daquelas para a construo de pontes, estradas, usinas e grandes obras, em que reinam os grandes desvios de dinheiro pblico. A falta de regras adequadas  pesquisa fora a permanncia de nossos doutores no exterior, no incentiva o empreendedorismo, afasta a universidade da empresa e atrasa o pas. A pesquisa est submetida a uma ditadura jurdico-burocrtica sem precedentes que a vem sufocando a passos largos (Bem preparados. E agora?, 29 de agosto).
CLOVIS R. MALISKA
Florianpolis, SC

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o numero da cdula de identidade e o telefone do autor, Enviar para: Diretor de Redao, VEJA  Caixa Postal 11079  CEP 05422-970  So Paulo  SP; Fax (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


6. BLOGOSFERA 
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

AUGUSTO NUNES
MENSALO
Com o julgamento do mensalo, o Supremo Tribunal Federal est decidindo a prpria sorte e, por consequncia, a sorte de uma democracia ainda na infncia. www.veja.com/augustonunes 

GENTICA 
MAYANA ZATZ
DNA
Os avanos na anlise de DNA revelam cada vez mais segredos inesperados. A nica forma de lidar com isso  por meio de equipes multidisciplinares de geneticistas, mdicos, juristas e psicanalistas. www.veja.com/genetica

GPS
PAULA NEIVA
PS-DIVRCIO
Katie Holmes no pretende viver da venda dos presentes que ganhou do ex. A atriz tem planos ousados para sua marca de roupas, a Holmes & Yang, criada em 2009. www.veja.com/gps

DE NOVA YORK
CAIO BLINDER
EUA
Os democratas pintam Romney como um capitalista sanguessuga. Os republicanos pintam Obama como sangue sujo. Democratas apostam em distraes no econmicas, republicanos dizem que a economia impedir a reeleio do presidente. Que coisa! www.veja.com/denovayork

+ TECH
OS APPS DE IPHONE MAIS POPULARES DO BRASIL
Os aplicativos se multiplicaram de tal forma que hoje  quase impossvel imaginar um smartphone rodando sem eles  afinal, esses programas executam as mais diversas funes. O blog + Tech lista os apps gratuitos mais populares para o celular da Apple, programas que j passaram pelo crivo de milhares de usurios brasileiros. www.veja.com/tech 

VIVER BEM
A IMPORTNCIA DO CAF DA MANH
O desjejum  uma etapa da alimentao essencial para a sade, para a manuteno do peso ideal e, principalmente, para o equilbrio de tudo o que se far e comer durante o dia. Sabemos tambm que as pessoas habituadas  refeio matinal tm melhor desempenho em testes de memria e na resoluo de problemas. Crianas apresentam melhor resultado cognitivo e rendimento escolar. Aqueles que, por qualquer motivo, no tomam caf da manh devem descobrir a razo. Pode ser que estejam comendo muito tarde  e em grande quantidade  na noite anterior. Se for esse o caso,  preciso empenho para mudar o hbito. www.veja.com/viverbem 

NOVA TEMPORADA
O SUCESSO DE CHARLIE SHEEN
O canal FX anunciou a encomenda de mais noventa episdios da nova srie estrelada por Charlie Sheen, Anger Managemem. A srie conquistou, ao longo de sua primeira temporada, a mdia de 4,53 milhes de telespectadores  desses, 2,5 milhes fazem parte do pblico-alvo, entre 18 e 49 anos. Adaptada do filme Tratamento de Choque, de 2003, a srie apresenta Charlie como um ex-jogador de beisebol que teve a carreira prejudicada por causa de seus rompantes de raiva. Agora trabalhando como terapeuta, ele tenta ajudar outros que passam pelo mesmo problema.
www.veja.com/novatemporada

 Esta pgina  editada a partir dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


7. EINSTEIN SADE  GLAUCOMA: SINTOMAS SUTIS, RISCOS REAIS
Doena, cujos sinais s costumam ser percebidos em estgio avanado,  uma das principais causas de cegueira.

     O glaucoma  uma doena ocular que afeta o nervo ptico, a estrutura dos olhos que leva as informaes do que enxergamos para a rea do crebro que vai interpretar a viso. Pela forma como age, pode ser definido como um ladro furtivo: vai roubando a viso da pessoa sem que ela perceba. Quando os sintomas aparecem, o glaucoma j produziu danos significativos, com perdas de viso irreversveis. Segundo a Organizao Mundial da Sade, o glaucoma est entre as principais causas de cegueira.
     Na grande maioria dos casos, o problema est relacionado com o aumento da presso intraocular. H dezenas de tipos de glaucoma, mas em linhas gerais eles podem ser classificados em primrio e secundrio. O primrio  mais comum acima dos 40 anos e normalmente  hereditrio. O secundrio pode ser resultado de outra doena ocular, alterao vascular ou processo inflamatrio.
     No h cura para o glaucoma. Mas identific-lo logo no comeo faz toda a diferena. Nessa etapa, o tratamento  feito com colrios que baixam a presso ocular, permitindo interromper ou desacelerar o processo de dano do nervo ptico e perda de viso. Porm, como na fase inicial o glaucoma no apresenta sintomas, o diagnstico precoce depende, sobretudo, de check-ups anuais com o oftalmologista.
     Alguns casos podem exigir as chamadas cirurgias filtrantes, feitas com microscpio e microinstrumentos.  que, no glaucoma, ou o lquido natural dos olhos est sendo produzido em excesso ou a via de drenagem est deficiente: O objetivo da cirurgia  criar uma fstula, um caminho para o lquido escoar.
     Em termos de tratamento no cirrgico h caminhos novos sendo trilhados, como a busca de drogas neuroprotetoras, j que estudos recentes sugerem que o glaucoma pode ser uma doena neurodegenerativa. Ela provoca a morte de clulas nervosas que atuam no processo de coleta e transmisso das informaes visuais para o nervo ptico e a rea do crebro que interpreta a viso. H evidncias cientficas de que esta rea apresenta alteraes em pacientes com glaucoma. Drogas neuroprotetoras poderiam evitar a morte dessas clulas e promover um processo de regenerao.  nessa linha tambm que se desenvolvem pesquisas com o uso de clulas-tronco, hoje em fase experimental em animais.
     Mas ainda que esses novos recursos se tornem realidade no futuro, ainda  mais interessante a preveno, com consultas ao oftalmologista que poder descobrir se o ladro glaucoma, furtivamente, j est comeando a roubar a viso do paciente.

Saiba mais sobre este e outros assuntos no site www.einstein.br
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Sua sade  o centro de tudo.
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Responsvel Tcnico:
Dr. Miguel Cendoroglo Neto - CRM: 48949

